Chefe da SK Group diz que escassez de memória de IA virou caso de segurança econômica
No Jeju Forum, em 19 de julho de 2026, o presidente do grupo sul coreano SK, Chey Tae-won, disse que governos estrangeiros já tratam o acesso a memória de IA como questão de segurança econômica. Clientes da SK Hynix pediram entre 60% e 100% mais memória de IA pra 2027, mas nenhuma fabricante tem capacidade nova relevante prevista pro próximo ano.
O alerta no Jeju Forum
Em 19 de julho de 2026, durante o Fórum de Jeju, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria da Coreia, o presidente do grupo SK, Chey Tae-won, afirmou que a escassez global de chips de memória pra inteligência artificial deixou de ser só um gargalo comercial e passou a se transformar rapidamente num ponto de tensão geopolítico, com governos estrangeiros já intervindo pra garantir suprimento doméstico de chips, segundo reportagens do Korea Herald e do The Investor.
A demanda que a oferta não acompanha
Segundo Chey, grandes clientes da SK Hynix pediram entre 60% e 100% mais memória de IA pra 2027 em comparação com os níveis atuais. Com a inteligência artificial já respondendo por mais da metade de todo o consumo global de semicondutores, o crescimento total de demanda projetado é de pelo menos 50% a 60%. O problema central, segundo o executivo: nenhuma fabricante tem capacidade de produção relevante prevista pra entrar em operação no próximo ano.
O gargalo mais agudo está na memória de alta banda
O desequilíbrio entre oferta e demanda é mais grave na memória de alta banda larga (HBM), componente crítico pra acelerar o treinamento e a inferência de modelos de IA. A SK Hynix detinha 58% do mercado global de HBM em receita no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Counterpoint Research citados pela reportagem, posição que a coloca no centro de qualquer decisão geopolítica sobre acesso a esse tipo de chip.
A resposta da SK Hynix
Diante da pressão de demanda, a SK Hynix antecipou pra fevereiro de 2027 a entrada em operação da primeira sala limpa do seu complexo em Yongin, que antes estava prevista pra maio, e comprometeu 21,6 trilhões de wões adicionais, cerca de US$ 14,52 bilhões, em investimento anunciado em março deste ano. Mesmo assim, segundo Chey, essa expansão não deve ser suficiente pra fechar a lacuna projetada pra 2027.
Por que isso pesa no custo de rodar IA no Brasil
Pra agências e PMEs brasileiras, memória de alta banda é um insumo invisível, mas decisivo: ela está por trás do preço final de qualquer GPU usada pra treinar ou rodar modelos de IA em nuvem, incluindo os serviços que sustentam automações de atendimento e marketing no dia a dia. Um alerta de escassez com viés geopolítico, feito pelo chefe de um dos dois maiores fabricantes de memória do mundo, é sinal de que o custo de infraestrutura de IA tende a seguir pressionado por mais tempo, com efeito indireto sobre o preço de APIs e assinaturas de ferramentas de IA usadas por empresas brasileiras.
O que fica claro
Quando o presidente de um dos maiores conglomerados da Coreia do Sul descreve escassez de chip como questão de segurança econômica, o recado ultrapassa a lógica de oferta e demanda de mercado. Governos que já cortejam fabricantes de memória pra garantir fornecimento doméstico sinalizam que o acesso a esse insumo pode, cada vez mais, depender de alianças geopolíticas, não só de contratos comerciais. Pra quem constrói produto sobre infraestrutura de IA, a lição prática é orçar com folga e evitar depender de um único fornecedor de capacidade computacional.