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Tribunal de apelações dos EUA mantém banimento do Pentágono ao Claude da Anthropic

Um tribunal federal de apelações reverteu decisão anterior da justiça de primeira instância e manteve a determinação do Pentágono que bane o Claude, da Anthropic, dos sistemas do Departamento de Guerra dos EUA, decidindo por 2 votos a 1 que a exclusão foi legal. A decisão dá à Anthropic uma derrota após a vitória obtida em agosto, e mostra que a justiça vai validar um comprador governamental que trata as próprias barreiras de segurança de um fornecedor como risco de segurança.

Logo oficial da Claude
Logo oficial: Claude. Crédito: Wikimedia Commons.
Por Redação Max IA AssistantLeitura de 4 minutos

Pentágono vence a apelação: Claude continua banido

Em 25 de setembro de 2026, a Corte de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Colúmbia reverteu a decisão da instância inferior e manteve a determinação do Pentágono que classifica a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos, banindo o Claude dos sistemas do Departamento de Guerra. Em decisão de 2 a 1, os juízes de circuito Gregory Katsas e Neomi Rao rejeitaram todos os argumentos da Anthropic: de que a exclusão foi arbitrária, de que excedeu a autoridade legal do governo e de que violou direitos constitucionais da empresa. A juíza de circuito Karen LeCraft Henderson discordou no voto vencido. O resultado derruba a vitória que a Anthropic havia conquistado em 28 de agosto perante uma juíza de primeira instância, que havia chamado a designação de ilegal e infundada.

O centro da disputa: quem controla o modelo

A decisão do tribunal, obtida pelo MaxAssistant, gira em torno de uma tensão básica no uso empresarial de IA: quem decide o que um modelo pode ou não fazer depois de instalado dentro de um sistema governamental ou corporativo. A Anthropic constrói restrições diretamente no Claude que bloqueiam uso em armas autônomas letais e vigilância em massa doméstica, independentemente do que um cliente governamental peça. O Departamento de Guerra argumentou que esse é exatamente o problema: um fornecedor capaz de alterar as barreiras de segurança e os pesos de um modelo depois da entrega introduz incerteza em sistemas que, segundo os militares, precisam se comportar de forma previsível. O tribunal ficou do lado do Pentágono, concluindo que um incidente no qual as restrições do Claude teriam interferido em uma operação militar no exterior deu ao governo motivo suficiente para duvidar que o modelo funcionaria como esperado em uma crise.

Uma briga longa que continua mudando de lado

A relação entre Anthropic e Pentágono se deteriorou publicamente desde março de 2026, quando o secretário de Defesa Pete Hegseth classificou formalmente a empresa como risco à cadeia de suprimentos sob a lei federal de segurança da cadeia de suprimentos de aquisições, ordenando a remoção dos produtos da Anthropic dos sistemas do Departamento em até 180 dias e proibindo contratados de usá-los. A Anthropic processou, venceu uma vitória temporária na justiça federal de primeira instância em agosto, e agora perdeu esse terreno na apelação. Um processo separado e mais restrito, sobre uma regra diferente usada para justificar a exclusão, continua em trâmite. Ao longo da disputa, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a empresa ofereceria uma transição tranquila para outro fornecedor de IA caso fosse pedida para sair, mas insiste que suas barreiras de segurança não estão sujeitas a negociação, nem mesmo com o governo dos Estados Unidos como cliente.

O que isso significa além do Pentágono

Para empresas e órgãos de outros países que compram IA empresarial, inclusive no Brasil, a decisão cria um precedente importante: um comprador governamental pode tratar as próprias restrições de segurança de um fornecedor como um risco de segurança, em vez de um diferencial de venda, e os tribunais podem validar essa leitura mesmo quando as restrições existem para evitar danos. Isso complica o discurso de que design responsável de IA é puramente uma vantagem competitiva. Também sinaliza que a posição legal e comercial da Anthropic perante grandes compradores institucionais, em especial clientes de defesa e governo, agora carrega uma incerteza real que não estava totalmente precificada antes dessa apelação. A Microsoft já disse que vai continuar incorporando a tecnologia da Anthropic em produtos para clientes diferentes do Departamento de Defesa dos EUA, o que sugere que o efeito colateral está, por enquanto, contido a contratos militares e adjacentes à defesa.

A leitura do MaxAssistant

Essa decisão não resolve se fornecedores de IA deveriam poder impor seus próprios limites éticos dentro de implantações governamentais, ela apenas confirma que, por enquanto, o governo decide essa questão dentro dos próprios sistemas. As duas linhas vermelhas da Anthropic, sem armas autônomas e sem vigilância em massa, continuam valendo nos compromissos públicos da empresa, mas ela acabou de perder a briga jurídica para continuar aplicando essas regras dentro do Departamento de Guerra. Empresas que avaliam as promessas de qualquer fornecedor de IA deveriam tratar compromissos de segurança embutidos como política, não como garantia, porque um comprador com influência suficiente pode simplesmente contornar um fornecedor que não cede.

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