Brasil na frente de EUA e da média global

Um estudo global da Sinch, realizado com 2.527 executivos e divulgado ao longo da semana de 13 a 17 de agosto de 2026 por veículos como TI Inside, Olhar Digital e o site SitePD, mostra que 76% das empresas brasileiras mantêm agentes de inteligência artificial em produção. O número supera a média mundial, de 62%, e também fica acima dos 67% registrados nos Estados Unidos, colocando o Brasil entre os países mais avançados do mundo na adoção prática, e não apenas experimental, de agentes de IA corporativos.

O outro lado da liderança: 80% das empresas já recuaram

O mesmo levantamento traz um contraponto direto à boa notícia: 80% das organizações brasileiras já interromperam ou reverteram alguma implementação de agente de IA em algum momento. Não se trata de abandono do tema, mas de um padrão recorrente de tentativa, erro e correução que acompanha a velocidade com que o país vem colocando agentes autônomos para operar dentro de processos reais de negócio.

Vazamento de dados é a causa mais comum de recuo

Entre os casos em que a empresa precisou recuar, 39% envolveram vazamento de dados ou de informações pessoais, segundo a pesquisa. O número é significativamente maior que o observado na América do Norte, onde 26% das organizações citaram o mesmo motivo. Mais especificamente, 41% das organizações brasileiras relataram ter precisado desligar completamente um agente de IA depois de um vazamento, contra 26% na América do Norte.

Empresas já destinam mais recursos à segurança do que ao desenvolvimento

Um dado que sinaliza revisão de prioridades: 76% das empresas brasileiras já destinam recursos específicos para confiança, segurança e conformidade em torno de seus agentes de IA, superando os 63% que investem diretamente no desenvolvimento de novas capacidades de IA. Ou seja, blindar o que já está em produção passou a competir, em investimento, com a corrida por lançar mais agentes.

Um padrão de crescimento e queda que se repete

Reportagens relacionadas publicadas na mesma janela, como uma análise da Netskope sobre violações de dados ligadas a agentes de IA, e outro estudo que já apontava em maio que 74% das empresas haviam recuado no uso de agentes após falhas, reforçam que o Brasil vive um ciclo consistente: adoção rápida, incidentes de segurança, recuo pontual e depois nova tentativa, geralmente com controles mais rígidos.

Por que isso importa para agências e PMEs brasileiras

Para agências de automação de marketing e atendimento que já colocaram ou pretendem colocar agentes de IA para lidar com dados de clientes, o estudo da Sinch funciona como um alerta prático direto: a chance de precisar desligar um agente por vazamento de dados no Brasil é quase o dobro da média norte-americana. Antes de escalar um agente autônomo para produção, vale garantir três coisas mínimas, escopo restrito de dados que o agente pode acessar, log completo de cada ação automatizada tomada sobre dados pessoais, e um plano de desligamento rápido testado com antecedência, não inventado no meio de um incidente. Dado que 76% das empresas já tratam segurança como prioridade de investimento equivalente ao desenvolvimento, agências que ainda não fazem isso correm o risco de ficar para trás não na adoção de IA, mas na maturidade de governança exigida pelo próprio mercado.