Fortune detalha uma 'crise de identidade' na Google DeepMind

Uma reportagem da Fortune publicada em 13 de agosto de 2026 reúne relatos de engenheiros da Google DeepMind que descrevem uma sequência de problemas internos no laboratório de inteligência artificial da Alphabet. Segundo a publicação, os relatos vêm depois de semanas de mudanças na liderança, já cobertas pelo MaxAssistant, incluindo a saída de Demis Hassabis do comando operacional e a saída do cientista-chefe do Google, Jeff Dean.

Gemini 3.5 Pro já perdeu três datas de lançamento

Segundo a Fortune, o Gemini 3.5 Pro, apresentado no Google I/O em maio, já passou por três datas de lançamento perdidas sem chegar ao público em versão estável. A empresa já havia adiado o lançamento do seu próximo modelo de ponta em dois meses depois que testes internos mostraram o sistema ficando atrás de rivais em tarefas de programação, segundo a mesma reportagem.

Gemini 3.6 Flash fica atrás de rivais em avaliação independente

A Fortune cita a firma independente de benchmarking Artificial Analysis para afirmar que o Gemini 3.6 Flash está atualmente atrás de modelos da Anthropic, da OpenAI, da xAI, da Meta e de pelo menos um laboratório chinês em inteligência bruta, invertendo a posição de liderança que o Google ocupava em rankings anteriores. A Digitimes classificou o conjunto de dificuldades como parte de meses de tropiços em IA por parte da empresa.

Mais dois veteranos do AlphaFold deixam o DeepMind rumo à Anthropic

Segundo a Fortune, a saída mais recente de peso é a de John Jumper, coinventor do AlphaFold, sistema de previsão de estrutura de proteínas que rendeu ao DeepMind reconhecimento científico internacional, que já deixou o laboratório rumo à Anthropic. Jumper foi seguido por outros dois veteranos do projeto AlphaFold, Jonas Adler e Alexander Pritzel, aprofundando a lista de saídas que já incluía nomes como Noam Shazeer, ex-colíder técnico do Gemini.

Engenheiros apontam assédio agressivo e diluição da fronteira com o Google

Segundo a reportagem, engenheiros ouvidos pela Fortune atribuem as saídas a uma combinação de assédio agressivo de talentos por parte de concorrentes, atraso em relação a rivais em benchmarks de programação e busca por equity pré-IPO em startups rivais. Vários deles também expressaram preocupação de que a fronteira histórica entre o DeepMind e a Google matriz esteja se diluindo, com o poder de decisão técnico migrando de Londres, sede histórica do DeepMind, para Mountain View. Um porta-voz do Google contestou essas caracterizações junto à Fortune.

Pressão direta de Sergey Brin, segundo outra apuração

Uma reportagem separada, publicada pela ResultSense em 13 de agosto, afirma que o cofundador do Google Sergey Brin passou meses pressionando diretamente a equipe sênior de IA a concentrar esforços no Gemini, reforçando a leitura de que a companhia-mãe vem se envolvendo de forma cada vez mais direta nas decisões técnicas do laboratório.

Por que isso importa para agências e PMEs brasileiras

Para agências brasileiras que constroem produtos sobre o Gemini ou o Vertex AI, a combinação de atrasos recorrentes de lançamento com desempenho abaixo de rivais em benchmarks independentes é um sinal concreto de risco de roadmap, distinto de apenas uma reorganização de liderança. Reforça-se a recomendação já feita pelo MaxAssistant em coberturas anteriores sobre o tema: manter testado um modelo alternativo de outro fornecedor para operações críticas de atendimento e automação, evitando dependência exclusiva de um laboratório que, segundo fontes internas, está enfrentando dificuldades concretas para manter o ritmo da concorrência.