Um warrant de até US$ 12,2 bilhões

A Marvell Technology concedeu à Google, em 19 de agosto de 2026, um warrant que dá à empresa o direito de comprar até 58,97 milhões de ações da fabricante de chips a US$ 206,58 cada. Segundo reportagem da Reuters, publicada pela Investing.com, e confirmada pela CNBC e pela Yahoo Finance, o instrumento vale até US$ 12,18 bilhões se totalmente exercido, o que colocaria a Google entre os cinco maiores investidores da Marvell.

Ação condicionada a compras reais de chips

Parte relevante das ações do warrant não é automática: segundo a CNBC, o exercício de boa parte da opção está atrelado a metas de compra de chips personalizados que a Google precisa efetivamente fazer junto à Marvell, na proporção aproximada de 240 mil ações liberadas a cada US$ 500 milhões em pedidos qualificados. Se todas as metas forem batidas, a Marvell teria gerado algo perto de US$ 120 bilhões em receita qualificada vinda da Google ao longo do contrato.

Broadcom perde terreno, Marvell dispara na bolsa

O anúncio reorganizou o tabuleiro de fornecedores de chips personalizados para inteligência artificial. A Broadcom, principal parceira da Google nesse tipo de chip até então, viu suas ações caírem mais de 5% no dia da notícia, enquanto os papéis da Marvell saltaram cerca de 8%, segundo a CNBC. O mercado leu o acordo como um voto de confiança de uma das maiores provedoras de nuvem do mundo na capacidade da Marvell de competir nesse nicho até então dominado pela rival.

Parte de uma onda maior de acordos de fornecimento

O modelo de warrant vinculado a compras futuras segue um padrão que já apareceu em outros contratos recentes do setor de infraestrutura de IA, em que grandes provedoras de nuvem trocam garantias financeiras e participação acionária por compromisso de fornecimento de longo prazo com fabricantes de chip. Para a Marvell, o acordo reduz o risco de concentração em poucos clientes ao amarrar receita futura previsível a uma das maiores compradoras de capacidade de computação do mundo.

Por que isso importa para agências e PMEs brasileiras

Acordos como esse não afetam diretamente o custo de ferramentas de IA usadas hoje por agências e pequenas empresas brasileiras, mas sinalizam para onde vai o investimento de longo prazo em capacidade de computação, um dos principais fatores por trás do preço de APIs de IA generativa. Diversificar fornecedores de chip tende, ao longo de vários trimestres, a aliviar a pressão de escassez que hoje encarece contratos de nuvem e de inferência de IA, ainda que o efeito prático em planos de assinatura demore para aparecer. Vale acompanhar esse tipo de acordo como um indicador antecipado de estabilidade de preço, não como algo que muda o orçamento de IA no curto prazo.