Regulação & Ética 24 de jul. de 2026 · 3 min de leitura · Redação MaxAssistant

Nvidia, Microsoft e mais 23 empresas pedem aos EUA que não restrinjam modelos abertos de IA

Um grupo de 25 empresas de tecnologia, liderado por Nvidia e Microsoft, publicou em 24 de julho de 2026 uma carta pedindo que o governo dos Estados Unidos evite restrições prematuras a modelos de IA de peso aberto. A carta chega em meio a um debate acalorado sobre modelos abertos chineses, depois que autoridades americanas acusaram a Moonshot de ter destilado o Kimi K3 a partir do Claude Fable 5, da Anthropic, empresa que, junto com a OpenAI, não assinou o documento.

25 empresas pedem que os EUA não restrinjam modelos abertos

Um grupo de 25 empresas de tecnologia, liderado visivelmente pela Nvidia e pela Microsoft, publicou em 24 de julho de 2026 uma carta aberta intitulada Open Weights and American AI Leadership, pedindo aos formuladores de política dos Estados Unidos que evitem restrições amplas ou prematuras a modelos de inteligência artificial de peso aberto, segundo reportagens da CNBC, da Qz e do portal Artificial Intelligence News.

O que a carta define como peso aberto e o que ela pede

O documento define modelos de peso aberto como sistemas de IA cujos parâmetros, os pesos, podem ser baixados, inspecionados, modificados e executados em infraestrutura local. A carta pede que o Congresso e o governo americano rejeitem restrições precoces a esse tipo de modelo e se opõem, especificamente, a limites amplos sobre técnicas de destilação, o processo de treinar ou ajustar um modelo novo usando as respostas de um modelo já existente.

Quem assinou e quem ficou de fora

Entre os signatários estão Meta, Palantir, IBM, Andreessen Horowitz, Hugging Face, Mozilla, a Linux Foundation, a Dell e a AMD, segundo compilação do Value Add Pulse. A ausência mais notada, no entanto, foi a da OpenAI e da Anthropic: nenhuma das duas maiores empresas de modelos fechados dos Estados Unidos assinou o documento, o que reforça a leitura de que a carta representa sobretudo os interesses de fornecedores de infraestrutura, hardware e da comunidade de código aberto, e não necessariamente os dos laboratórios de fronteira que vendem acesso fechado por API.

O estopim: acusação de destilação do Kimi K3

A carta chega numa semana de tensão específica: Michael Kratsios, autoridade da Casa Branca, acusou publicamente a chinesa Moonshot AI de ter construído o Kimi K3, seu modelo aberto que este site cobre separadamente, destilando respostas do Claude Fable 5, da Anthropic, sem autorização. A Moonshot nega a acusação. O episódio deu novo fôlego ao debate americano sobre como tratar modelos abertos de origem chinesa dentro de uma política de restrição mais ampla.

Sanções por destilação entram no radar do Tesouro americano

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, chegou a cogitar publicamente sanções especificamente voltadas contra práticas de destilação de modelos, segundo a mesma cobertura da CNBC. É justamente esse tipo de medida, potencialmente ampla o suficiente pra atingir também empresas americanas que usam destilação de forma legítima pra treinar modelos menores e mais baratos, que a carta das 25 empresas tenta barrar antes que vire lei ou regulamentação formal.

200 startups já tinham feito o mesmo pedido

A carta das grandes empresas não foi a primeira desse tipo: um dia antes, quase 200 startups americanas já haviam enviado um apelo semelhante diretamente à Casa Branca, segundo o mesmo levantamento da CNBC. A repetição do pedido, primeiro por startups menores e depois por gigantes como Nvidia e Microsoft, sinaliza uma frente ampla e coordenada da indústria de tecnologia americana em defesa dos modelos abertos, num momento em que o governo avalia medidas mais duras.

Por que isso importa para agências e PMEs brasileiras

Restrições americanas a modelos de peso aberto, sejam elas limites à destilação ou barreiras a modelos de origem chinesa, afetam diretamente quais opções de IA acessível estarão disponíveis pra agências e PMEs brasileiras que hoje se beneficiam da concorrência entre modelos abertos e fechados pra pagar menos por automação de atendimento e marketing. Se essa pressão regulatória restringir a oferta de modelos abertos de ponta, o efeito indireto no Brasil tende a ser preço mais alto e menos alternativas na hora de escolher fornecedor de IA, mesmo sem nenhuma lei brasileira mudar.